QUEM SOMOS NÓS NA FILA DO PÃO?

(Valci Melo, 12 e 13 out. 2026)

 

As eleições nos convocam

A tomarmos posição;

A elegermos um rumo,

Um caminho ou direção,

Seja votando em alguém

Ou escolhendo a omissão.

 

Essa escolha não é simples,

Como pode parecer,

Pois ela envolve interesses,

Crenças e modos de ser

Com os quais nos vinculamos

Ou ferem o nosso viver.

 

É por isso que o saber,

Nessa escolha ou decisão,

Sempre opera acompanhado

De uma dose de paixão,

Sendo tolice cobrarmos

Apenas cognição.

 

Mas como o conhecimento

Também compõe essa cena

Quero recorrer a ele

Com perguntas bem serenas,

Convidando o eleitorado

À reflexão, apenas.

 

É preciso refletirmos

Com bastante atenção:

Onde estamos e quem somos

Na imensa fila do pão?

Cabemos nesse projeto

Ou somos só munição?

 

Não se agrada a dois senhores,

Já dizem as escrituras.

Se a benesse é do patrão

Ao “peão” cabe a fatura.

Quem sou eu, quem é você

Dentro dessa conjuntura?

 

Quem são esses candidatos?

O que prometem fazer?

O que eles já fizeram?

Quem é pior pra você?

Que sonho seu corre risco?

Quer mesmo pagar pra ver?

 

Corrupção te incomoda?

Sem dúvida, a mim também.

Mas ela pode pra alguns

Ou não pode pra ninguém?

Que tal checar as denúncias?

Ou isso não te convém?

 

Bandido que te incomoda

É só o pé-de-chinelo?

O banqueiro que está preso

E o seu profundo elo

Com uma das candidaturas

Não te deixam sem castelo?

 

Vínculo com miliciano

Não causa preocupação?

Como fica a segurança

De nossa amada nação?

Ser patriota ianque

Não é uma contradição?

 

A defesa da família

Já não te parece ser

Restrita ao próprio clã

Ávido por grana e poder?

Se os outros não têm espaço

O que sobra pra você?

 

Denominar-se Cristão

E defender a violência

Não te parece estranho

Ou de grande incoerência?

Seria um Cristo armado

Sua nova referência?

 

Se sou a favor da vida

Não preciso confrontar

As condições que ameaçam,

Que buscam aniquilar?

Ou só deve existir

Quem conosco concordar?

 

Não se trata de por medo,

Mas de chamar a atenção

Para as muitas evidências

Que apontam na direção

De um futuro sem espaço

Pra nós na fila do pão.

 

O pão aqui é direito

A ter SUS e moradia,

Universidade pública,

Ciência e soberania,

Mais concurso e previdência,

Emprego e democracia.

 

O pão aqui é direito,

Enquanto trabalhador,

A ter leis e proteção

Agindo a seu favor.

Liberdade pra viver

Toda forma de amor.

 

O pão aqui é direito

A lazer e nutrição,

A liberdade de crença,

Pensamento e expressão.

E a continuar lutando

Nesse mundo em construção.

 

A fila do pão é longa,

Mas você já entendeu.

Sabe onde nela se encontra:

Se é patrício ou se é plebeu.

Pense nisso com carinho:

Ocupe o lugar que é seu.

 

Ter ressalvas ao PT

É legítimo e defensável.

Concordo que o governo

De críticas não é poupável.

Mas vale a pena o risco

De apostar no inominável?

 

Sua indignação é justa.

Seu sofrimento é real.

Por isso, pare e reflita

Se o seu voto é leal

Ao futuro que deseja

Ou se é um risco fatal.

 

Não é só uma eleição:

É o passado que acena,

Fingindo ser novidade

Contra fatos que o condena.

Tens o futuro nas mãos:

Não o deixe sair de cena.

 OITO DE MARÇO

(Valci Melo, 07 mar. 2023)

 

Há muito tempo na História

As mulheres têm mostrado

Que o seu lugar no mundo

Não é atrás de barbado,

Pois o rumo só é justo

Quando é compartilhado.

 

Lutando por igualdade

Em um mundo em estilhaço

As mulheres deram origem

Ao famoso oito de março

Como uma data de luta

Em prol de um justo espaço.

 

De origem socialista

A data foi sequestrada

Por um viés consumista

Que a deixou desfigurada:

Com tom individualista

E homenagens de fachada.

 

Para além das homenagens,

Das flores e dos presentes,

O Dia Oito de Março

Exige de toda a gente

Engajamento na luta

Por um mundo diferente.

 

Enquanto o feminicídio,

A doméstica violência,

O assédio e o abuso

E as demais ocorrências

Forem as nossas notícias

Estaremos com pendências.

 

Enquanto não resolvermos

A histórica desigualdade

Na igreja, no trabalho...

E em toda a sociedade

Qualquer comemoração

Não terá integridade.

 

Oito de Março é memória

É dia de reflexão

Por ainda precisarmos

Lutar por uma questão

Que deveria ser óbvia

Para qualquer cidadão.

 

A igualdade humana

E o respeito à diferença,

Seja de sexo, de gênero,

De ideias ou de crença,

Farão do Oito de Março

Uma data mais intensa.

O MUNDO É DE TODOS NÓS

(Valci Melo, 08 e 09 nov. 2022)

 

Há quem defenda que o mundo

Pertence a quem é esperto

No sentido de astuto,

Enrolado, olho aberto.

Eu questiono o ditado

E coloco-me ao lado

Daquilo que é o certo.

 

“Mas o certo é relativo”

Alguém logo há de dizer.

“O que é certo para mim

Pode não ser pra você”.

Nessa grande encruzilhada

A escolha mais acertada

Não deve ser por prazer.

 

Pois como Freud dizia:

Prazer e realidade

São os dois princípios-guia

Da individualidade.

Mas o equilíbrio se forma

Quando desejo e norma

Convivem em sociedade.

 

A regra: “fazer ao outro

O que se quer para si”

Deve orientar a todos

No momento de agir.

É um valor universal,

Um fundamento do qual

Não podemos prescindir.

 

Assim, usarmos bom-senso,

Empatia e alteridade

Ajuda-nos a ser justos

Na vida em sociedade.

O mundo é de todos nós,

Por isso, ergamos a voz

Cobrando dele igualdade.

 

Lutar por fraternidade,

Por um mundo sem cobiça;

Com respeito, liberdade,

Honestidade e justiça

Deve em qualquer fileira

Ser, pois, a grande bandeira

Que com orgulho se iça.

ORGANICAMENTE SAUDÁVEL

Valci Melo, 29 set. 2022

 

Comer alimenta a vida,

Cumprindo função vital.

Mas não é toda comida

Que deixa a gente legal.

É preciso ser prudente

E dosar os nutrientes

Que possam nos fazer mal.

 

Devemos priorizar

Alimentos in natura.

Minimamente processados

Também servem pra mistura.

Já os industrializados

Precisam ser controlados

Em frequência e em fartura.

 

A comida processada,

Pra ter durabilidade,

Usa alguns ingredientes

De alta nocividade.

Seu consumo moderado

É o mais recomendado -

E com alimentos de verdade!

 

Ainda há outro ponto

Que é preciso dizer:

Não basta ser in natura

Pra ser um “bom de comer”.

Orgânico é o adjetivo

Que se faz imperativo

Na hora de escolher.

 

Alimentação saudável

É o que aqui defendemos.

Comida de qualidade

É o que melhor poderemos

Fazer por nossa saúde,

Pois como se diz amiúde:

“Nós somos o que comemos”.

 

DIA DO ESTUDANTE

(Valci Melo, 09 e 10 de agosto de 2022)


 

 

Estudante é um ser em formação

Num percurso extenso e demarcado.

Estão nessa mesma condição

Educandos da creche ao doutorado.

Estudar deve ser a ocupação

Que vem antes de qualquer profissão

Em um mundo complexo e letrado.

 

Onze de agosto é o dia

Escolhido para homenagear

Aqueles que gastam energia

Conjugando o verbo estudar.

Como aluno é um ser dedicado

O seu dia não é nem feriado

Para a pausa não lhe atrapalhar.

 

Dizem que esse dia está ligado

À criação em terra brasileira

Do curso que forma o advogado

E as demais profissões dessa carreira.

Assim como o povo do Direito

O estudante não é um ser perfeito,

Mas a sua labuta é guerreira.

 

Parabéns! A quem procura o saber,

A quem tenta ser menos ignorante.

Que na busca pelo aprender

Não sejamos um aprendiz pedante.

Aos que estudam de fato e de direito

Registramos todo o nosso respeito

E dizemos: Feliz dia, estudante!

 NATAL: TEMPO DE ALUMIAÇÃO

(Valci Melo, 12 dez. 2021)
Natal é um tempo solene
Com tradições mundiais.
Poderia ser perene
Em algum de seus rituais:
O esforço à convivência
E o respeito às diferenças
Poderiam durar mais.
Natal é a festa da luz,
Pois celebra o nascimento
Do Deus Sol, Mitra e Jesus;
Nessa ordem de invento.
Era um ritual pagão
Batizado por cristãos
Como um importante evento.
Jesus não se sabe ao certo
Nem em qual ano nascera.
Sobre isso há um deserto
De informação verdadeira.
A escolha da data, então,
Foi um jeito de os cristãos
Assumirem a dianteira.
Depois que foi batizado
Como um evento cristão
O Natal foi recheado
Com rito e decoração
Simbolizando bonança,
Resistência, esperança,
Bondade e iluminação.
Presépios, estrelas, velas,
Cartões, presentes, comidas...
Tornam a festa mais bela.
Os sinos proclamam vida.
Papai Noel é Santa Claus,
O velho São Nicolau,
Bispo da contrapartida.
No hemisfério gelado
Faz sentido ter pinheiro,
Papai Noel encasacado,
Trenó e boneco de gelo.
Já no hemisfério quente
Precisa ser diferente
Para ser mais verdadeiro.
Que o espírito natalino,
Nesses tempos de caverna
Alumie nosso caminho
Com a sua luz fraterna
E ajude-nos a ser gente
Que vive o tempo presente
De forma livre e moderna.
Que o espírito natalino,
Nesses tempos de caverna
Alumie nosso caminho
Com a sua luz fraterna
E ajude-nos a ser gente
Que vive o tempo presente
De forma livre e moderna.